quinta-feira, novembro 01, 2012

VERBA EXTRA DE MINISTROS



ZERO HORA 01 de novembro de 2012 | N° 17240

CONSELHEIROS DE ESTATAIS
Cai liminar contra verba extra de ministros


Uma decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região suspendeu ontem os efeitos de uma liminar concedida por um juiz de Passo Fundo, que limitava as remunerações de ministros ao teto constitucional.

A decisão, agora suspensa, foi expedida no dia 25 e foi tomada em ação popular ajuizada na cidade do norte gaúcho. Ministros como Celso Amorim (Defesa), Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e Paulo Bernardo (Comunicações) recebem verba extra porque integram os conselhos de administração de órgãos ou empresas estatais. Ao todo, a ação pede a suspensão dos jetons acima do teto de 11 ministros do governo Dilma Rousseff.

O Ministério Público Federal foi ouvido no processo, concordou com o pedido da ação e apontou que o pagamento das vantagens aos ministros é imoral.

FOLHA.COM 25/10/2012 - 22h39

Juiz suspende gratificações de ministros acima do teto constitucional


FELIPE BÄCHTOLD
DE PORTO ALEGRE


A Justiça Federal do Rio Grande do Sul determinou a suspensão imediata de remunerações que ultrapassam o teto constitucional concedidas a 11 ministros do governo Dilma Rousseff.

A decisão, expedida nesta quinta-feira (25), é liminar e foi tomada em ação popular ajuizada em Passo Fundo (norte do RS).

Ministros como Celso Amorim (Defesa), Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e Paulo Bernardo (Comunicações) recebem verba extra porque integram os conselhos de administração de órgãos ou empresas estatais.

Há três meses, a Folha informou que Guido Mantega (Fazenda) e Miriam Belchior (Planejamento), ambos incluídos na ação, receberam em maio R$ 36 mil líquidos cada um devido à inclusão dos jetons por participações em reuniões da Petrobras.

O teto do funcionalismo está atualmente em R$ 26,7 mil.

O Ministério Público Federal foi ouvido no processo, concordou com o pedido da ação e classificou os pagamentos de "imoralidade".

O juiz responsável pela decisão, Nórton Benites, criticou a acumulação de pagamentos e escreveu que a situação "ofende as regras da boa administração pública" e a ideia de igualdade.

Para o magistrado, se o pagamento continuasse sendo feito, poderia haver prejuízo aos cofres públicos.

Algumas da estatais que têm ministros no conselho são Correios, BNDES, Eletrobras e Brasprev.

Há casos em que não há relação direta entre as funções dos ministros e as áreas de atuação das companhias. Celso Amorim consta na ação como membro do conselho da hidrelétrica de Itaipu.

RECURSO

O autor da ação é um político do PSOL de Passo Fundo, Marcelo Roberto Zeni, que concorreu a prefeito na cidade neste ano.

Procurada, a AGU (Advocacia-Geral da União) informou que está analisando a decisão e que vai apresentar recurso na próxima semana defendendo a legalidade do pagamento.

No processo, consta que a defesa da União afirmou que a retirada da remuneração impactaria os réus no "atendimento de suas necessidades básicas".

Também diz que uma eventual retomada dos pagamentos não seria capaz de reestabelecer a normalidade financeira e "psicológica" deles, diante das privações sofridas.

Na liminar, o juiz dá um prazo de dez dias para cumprimento da medida.


QUEM VENDE O VOTO É...



ZERO HORA 01 de novembro de 2012 | N° 17240

PÁGINA 10 | ROSANE DE OLIVEIRA

A prisão de três pessoas envolvidas na compra de votos em Jaquirana, fartamente 
comprovada em telefonemas grampeados com autorização judicial, é desses episódios
que revoltam tanto quanto ensinam. Revoltam porque mostram a desfaçatez com que 
se compra a consciência de eleitores de uma pequena comunidade, distribuindo 
comida, favores e bens de maior ou menor valor. Ensinam porque, como a polícia fez
seu trabalho, a Justiça tem a oportunidade de mostrar aos eleitores de todo o Estado 
que o crime não compensa.

Até aqui lembrada por ser um dos lugares mais frios do Rio Grande do Sul e pelas 
brincadeiras do chargista Iotti com a Jaquirana Air, a pequena comunidade dos 
Campos de Cima da Serra ficará conhecida agora como uma cidade onde se vendem 
votos por pneu velho, máquina de lavar roupa, rancho e combustível. A mulher que 
pedia a máquina de lavar roupa garantia 14 votos para o prefeito Ivanor Rauber (PP),
que agora corre o risco de ter o diploma cassado.

Os eleitores que venderam seus votos não são menos corruptos do que quem os 
comprou. Ambos estão praticando crime eleitoral. Por ignorância ou por estarem 
acostumados a essa prática nefasta, alguns eleitores podem até achar que não estão
fazendo nada de errado. Quem compra sabe que está sujeito às penas da lei.

Tão chocante quanto a notícia em si foi acompanhar a reação de parte dos eleitores 
do prefeito Rauber, que provocaram tumulto em frente à delegacia, indignados com a
operação policial que prendeu o filho do prefeito, um vereador e o coordenador da 
campanha.

Os indícios de fraude já eram visíveis antes da eleição. Com 4.177 habitantes, 
segundo o IBGE, Jaquirana tem 4.123 eleitores. Por mais que seja comum as pessoas
mudarem de cidade e deixarem o título eleitoral no domicílio de origem, esse número 
faz acender um sinal de alerta. Será possível um município de 4.177 habitantes ter 
apenas 54 com menos de 16 anos? No portal oficial do município constam 775 alunos
no Ensino Fundamental e 54 na Educação Infantil.


SENADOR CHAMA COLEGAS DE LADRÕES E CORRUPTOS



ZERO HORA N° 17240

NA CARA DURA

Sem citar nomes, Mario Couto (PSDB-PA) disparou críticas ao ocupar
a tribuna e desafiou os colegas a cassarem seu mandato

Depois de chamar os senadores de “ladrões” e “corruptos”, o senador Mário
Couto (PSDB-PA) voltou ontem à tribuna do Senado para desafiar os 
colegas a cassarem o seu mandato. Cobrado por senadores a divulgar os 
nomes de quem são os “ladrões” na Casa, Couto se recusou a apontar quem
seriam os parlamentares que enriqueceram de forma ilícita.

– Não citei nomes pelas regras do regimento interno, não por covardia. 
Se quiserem me cassar, cassem. Não me permito conviver aqui com 
senadores que sei que a desigualdade econômica é muito alta em relação 
a outros que vivem com dificuldade, como eu – afirmou o senador.

Couto fez discurso depois que os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), 
Ana Amélia Lemos (PP-RS) e Pedro Taques (PDT-MT) pediram no plenário
para o tucano listar em público quem seriam os tais “ladrões” que havia 
citado em seu discurso.

– A imunidade parlamentar pressupõe responsabilidade. Nós já sofremos 
muito nessa Casa. Sangramos este ano com a cassação de mandato de 
um colega, e eu penso que enxovalhar generalizadamente a Casa e a 
instituição não é um bom serviço – disse Ana Amélia.

O tucano prometeu encaminhar ofício ao Supremo Tribunal Federal (STF) 
com pedido para a Corte “desengavetar” processos contra deputados e 
senadores. Couto também disse que as “baratas do STF vão roer folha por 
folha dos processos” porque estão há anos parados para análise do tribunal.

O parlamentar chegou, ainda, a trocar farpas com a senadora Vanessa 
Grazziotin (PC do B-AM), que presidia a sessão. Ao ser citado por Ana 
Amélia, pediu a palavra e bateu boca com a senadora amazonense até 
conseguir falar – já que Vanessa ocupava a presidência do Senado no 
momento dos discursos.

Couto responde inquérito por suposto crime eleitoral

Couto foi eleito em 2006 para o Senado. Na época, ele declarou à Justiça 
Eleitoral patrimônio de R$ 598,8 mil. Apesar das críticas que fez aos colegas
senadores, ele é alvo de inquérito no STF por suspeita de crime eleitoral.

Segundo o site Transparência Brasil, ele também é alvo de ações civis 
públicas para ressarcimento de danos ao erário e por improbidade 
administrativa. Em discurso realizado ontem no plenário, o tucano disse que
tem vontade de “cuspir na cara” de alguns senadores que enriqueceram 
“sem nunca terem sido nada na vida”. Sem citar nomes, Couto disse que há 
senadores que têm jatos particulares, casas luxuosas e “50 mil bois no pasto”
sem condições de comprovar o seu patrimônio.

– Eles estão livres, andando dentro do parlamento, fazendo projetos perto 
de todos os outros senadores – disparou o parlamentar.

Diante das declarações, Vanessa Grazziotin e a senadora Lídice da Mata 
(PSB-BA) pediram que a Mesa Diretora do Senado tome providências contra
o senador.

BRASÍLIA